Não sei ao certo quando decidi ser mãe. Apenas decidi. Não com base em experiências comprovadas. Nenhuma leitura teria me ajudado nesse momento. Tudo que eu lia era muito simplista. Mostrava apenas como era bom ser mãe. A maior das dádivas.
A não ser minha mãe, ninguém mais me alertou do quanto seria difícil. De que teria mais coisas negativas do que positivas, mas as positivas parecem superar. Achava que ela apenas não gostava de ser mãe. Mas ela estava certa.
Ninguém me avisou o quanto seria difícil amamentar, passar todas as noites acordadas (pelo menos até hoje, 3 anos e 11 meses depois, ainda não dormi uma noite inteira). Como é difícil ter um filho doente. Como nos sentimos incapazes quando dizemos o que não pode ser feito e eles vão lá e fazem.
No máximo algumas pessoas diziam: "Ah, vale a pena. Quem vai te ajudar quando estiver velha?". Sempre me assustei com isso. Nunca quis ter um filho para que ele cuidasse de mim na velhice ou em qualquer tempo. Não queria ter um filho para cobrar o que já fiz por ele. Sempre pensei que se eu decidisse ser mãe, era minha obrigação prover o que fosse necessário para sua formação pessoal e moral, sem esperar nada em troca. Essa necessidade de agradecimento que muitos pais esperam, só gera frustração.
Não dá pra ter filho pensando em algo em troca. Não funciona assim.
A maternidade e a paternidade não são feitas somente de coisas boas, de coisas lindas e agradáveis. É tudo muito difícil. Uma vida de tentativas e erros. Um mistério cuja resposta deve estar bem escondida. Um misto de amor, culpa, carinho, impotência. É meio como brincar de Deus, só que diferentemente Dele, somos humanos e erramos muito. Às vezes por ignorância, mas na maioria tentando acertar.
Realmente decidir ter um filho é a decisão mais difícil e importante que alguém pode tomar. Se colocarmos no papel os prós e contras, realmente não valerá a pena.
Mas ter um filho não é uma simples equação. Vai muito além. Só saberá quem se arriscar a ter.
Bruna Bragatto.

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